Confiar

Se você vive uma alguma crise na sua vida pessoal e isso vem afetando seu desempenho no trabalho, a dica é o filme Confiar, Estados Unidos, 2010.

Dirigido por David Schwimmer, o enredo traz a ocasião do aniversário de 15 anos de Annie, em que seu pai, Will,um publicitário bem-sucedido, dá à menina um computador pessoal que ela passa a usar intensamente, em particular para se comunicar com as amigas. Porém, Annie inicia um relacionamento on-line com um sujeito que pensa ser de sua idade e que é, na verdade, um adulto pedófilo que engana, seduz e finalmente estupra a garota. Ao tomar conhecimento do fato, Will e sua esposa Lynn, sem conseguir qualquer informação sobre o criminoso, sentem-se perdidos. Will é tomado de uma grande instabilidade emocional, ao concluir que sua filha foi vítima, no fundo, de sua ausência como pai.

A despeito das imensas transformações em nosso modo de vida nas últimas décadas, as duas grandes iinstancias às quais se espera que um indivíduo adulto – homem ou mulher – venha a aplicar a maior parte de suas energias ainda são a família e o trabalho. Outras instâncias podem estar presentes – educação, a religião, o lazer, a vida comunitária -, mas, ou elas se confundem na verdade com o próprio trabalho (no caso das pessoas que desenvolvem atividades profissionais dentro dessas áreas); ou essas outras instâncias ocupam apenas um limitado trecho da vida da pessoa na juventude ou na maturidade; ou ainda, uma terceira possibilidade, elas são somente complementares às duas primeiras, não tendo no dia a dia a dimensão que é dada à família e ao trabalho.

No entanto, há mais de meio século, o psicólogo humanista norte-americano Abraham Maslow desenvolveu um modelo de análise daquilo que nos é importante na vida, e que chamou de Hierarquia das Necessidades Humanas.

Representada por um triângulo dividido horizontalmente em cinco faixas, o modelo de Maslow sintetiza as cinco grandes áreas de preocupação das pessoas, as quais, quando atendidas, lhes dão a certeza de serem indivíduos bem sucedidos: o dinheiro, a estabilidade emocional, os relacionamentos, o status e a realização pessoal.

Assim, basicamente, nossa vida é boa quando as cinco faixas de necessidades estão sendo devidamente preenchidas, de preferencia de forma equilibrada entre os ambientes familiar e profissional. Seja como for, esse preenchimento depende de um investimento de energia física, mental e emocional, que deve ser balanceadamente distribuída entre as duas instâncias: dedicar-se excessivamente ao trabalho, em detrimento da família, ou vice e versa, geralmente é inadequado.

O filme retrata bem o conceito da Hierarquia das Necessidades Humanas. Além disso, mostra que ninguém está realmente imune à possibilidade de levar um golpe do destino, – e que a felicidade explícita, longe de ser apenas um bem, pode ser igualmente uma fonte de autoengano, por nos deixar vulneráveis aos tropeços na vida: se tudo sempre dá tão certo pra nós, é bem provável que não conseguiremos enxergar quando algo estiver prestes a dar errado, não é mesmo?.

Aproveite o final de semana para assistir ao filme e refletir sobre essas questões!

Fonte:Livro Os filmes que todo gerente deve ler, Marco A. Oliveira e Pedro Grawunder, uma publicação da Editora Saraiva.