Nem Mortadelas e Nem Coxinhas!

Redes Sociais são aldeias globais e em geral mais para aldeias primitivas que para aldeias globais. Uma tecnologia que dá a possibilidade de se conectar com pessoas ao redor do mundo, compartilhar descobertas, pesquisar e propagar conhecimento, mas que, infelizmente, o que se vê na maior parte do tempo é o desperdício em fofocas, correntes, linchamento e massacres públicos.

Aqueles que não mostram o rosto, os covardes, ficam cada vez mais valentes e se unem em aldeias de mesma ideia e não economizam em deboches, insultos e humilhações, como aquelas fofoqueiras de praça das antigas novelas e filmes de Jorge Amado que perdem seu tempo para vigiar a vida do outro e ter a oportunidade de criticar.

Se denominam conhecedores, historiadores, cientistas econômicos ou cientistas políticos, que, com leituras rápidas de pesquisas no Wikipédia, se tornam especialistas com teses de doutorado e por vezes PhD nos assuntos que massacram quem pensa ao contrário. Se veem jovens universitários que mal sabem escrever uma redação, evacuam pensamentos, trucidando outros que pensam ao contrário. Não existe debate sadio, principalmente em política.

Tem-se necessariamente que rotular, se você fala mal do governo de FHC é necessariamente mortadela, se fala mal do governo Lula é necessariamente coxinha. Não pode haver uma opinião isenta ou se falar bem do que deve se falar bem e mal do que deve se falar mal, como se existissem partidos dos santos e partido dos demônios. Nesse circo das redes sociais é o Big Brother do reality shows grotescos, onde todo mundo vira celebridade e todo perfil um tablado. Quase ninguém sai em defesa da vítima e a maioria age como torcida em que o resultado é triste, como em muitas saídas de clássicos de futebol.

São inúmeros enclausurados ranzinzas cheio de “amigos” virtuais mantido a uma distância que não se tenha contato físico. A capacidade de interação física se substitui pela incapacidade de tentar compreender o outro, como se amigos de antigamente não pudessem ter times diferentes e ainda assim trocar um abraço no final do dia. São vários mortos vivos saindo das telas do Walking Dead no desespero de mostrar-se como intelectual esperando ansioso por uma resposta.

Os perfis são vistos de maneira simplória e são fáceis de serem atacados, execrados, reduzido a poucas linhas, onde na mesma velocidade em que se ataca, se esquece.

Será que não pode haver amizade entre cristãos e judeus? Será que não se tiram coisas boas de O Capital? Será que alguém se dá o trabalho de ler O Capital? A Riqueza das Nações? Será que podemos assistir a um jogo com nosso amigo do outro time? Será que as ideias não podem ser discutidas com argumentos históricos e não argumentos fúteis de Wikipedia? Será que vamos ver que o lado do Brasil não deve ser nem Vermelho e nem Azul, mas sim Verde e Amarelo?

Qualquer dúvida entre em contato via twitter @itclose2u

Gledson Santos é consultor em Tecnologia, Especialista em TI e Telecomunicações.