Você tem acompanhado as mudanças do mercado?

Sempre falo sobre a importância do autoconhecimento, pois é o primeiro passo para todos os tantos outros que daremos neste caminho do empreendedorismo e mundo dos negócios. Sem ele não poderíamos falar, por exemplo, sobre o tema que trouxe para hoje. Afinal, o autoconhecimento deveria ser tido como importante há anos, mas só agora essa questão tem estado em evidência. E por quê? Arrisca-se a responder?

A resposta é simples: o mercado não prioriza mais somente as habilidades técnicas dos profissionais. O foco da maioria das empresas está no conhecimento, nas habilidades comportamentais e nas atitudes das pessoas. Logo, quem se conhece melhor, sai na frente.

Assim como observamos essa mudança nos processos de recrutamento e seleção, há outras modificações tão importantes quanto, para quem quer empreender ou seguir em uma carreira corporativa.

Em ambos os casos, nesses tempos atuais em que a tecnologia impera, em que os celulares quase escrevem as palavras para a gente com seus corretores ortográficos, em que enviamos mensagens de voz pelo “Wpp”, e em que resolvemos a maior parte das tarefas por e-mail, ou seja, colocando a fala e o relacionamento pessoal, cada vez mais em segundo plano, saber se comunicar, falar bem, se relacionar e apresentar em público é quase um caso em extinção, pois, acredite, são raríssimos profissionais com tais habilidades.

A grande maioria ainda segue os antigos padrões e não observa que a necessidade de fazer diferente bate à porta. Não consegue nem identificar as falhas dos profissionais ou as demandas ainda não atendidas pelo mercado, muito menos enxergar ali uma oportunidade para crescer.

Na área do jornalismo, por exemplo, o mercado está se direcionando muito claramente para o empreendedorismo. Até o MEC já impôs mudanças na grade dos cursos de graduação em jornalismo, incluindo disciplinas sobre empreender. É tudo muito óbvio, as demissões em massa nos grandes veículos de comunicação estão acontecendo a toda hora, então, o que faz um jornalista ainda sonhar com uma carreira num ambiente corporativo, com carteira assinada, cumprindo horários e com aquela falsa segurança do emprego fixo? Até as que estão contratando, optam pelo famoso PJ – Pessoa Jurídica, em que o jornalista não tem vínculo empregatício, e sim, presta serviços com emissão de Nota Fiscal ao final do mês.

Atualmente todos os profissionais devem ser especialistas não apenas em suas áreas de atuação. Devem ser excelentes nas habilidades de negociação, em vendas, em gestão de pessoas, em se comunicar de forma assertiva e convincente, que transmita seriedade e credibilidade.

Certa vez em um Congresso para professores de jornalismo, um dos participantes, coordenador de uma conceituada universidade e ainda gestor de esporte de uma das afiliadas da Globo, me confessou que tinha vários excelentes alunos, com notas exemplares, mas nenhum deles trazia em seu currículo habilidades para negociar um projeto como trainee, e que por isso, não havia indicado nenhum deles para a vaga na emissora de TV.

Há pessoas que ainda resistem em entender que, apesar da sua formação, somos todos vendedores, e, portanto, precisamos ser experts em negociação.

Quando eu, como jornalista, sugiro uma pauta para um veículo, estou vendendo. Quando apresento o veículo para qual trabalho, a uma fonte, também atuo como vendedora. Quando participo da reunião de pauta com a equipe na empresa, também estou vendendo a relevância daquelas pautas. Quando me arrumo para ir a uma reunião com cliente, estou vendendo a ideia de uma pessoa confiável, profissional, de credibilidade, logo estou vendendo minha postura profissional. Quando apresento meu portfólio a um novo cliente, estou vendendo o meu trabalho.

Percebe que a todo o tempo estamos vendendo alguma coisa? Até em nossa vida pessoal é assim. Quando a mulher escolhe aquele vestido específico, certamente é para causar impacto a alguém. Quando o homem usa um determinado perfume, também é para impressionar alguém – logo, ambos estão vendendo uma boa imagem. É o velho e conhecido marketing pessoal.

Então, a partir de hoje, vamos praticar mais um exercício. Mantenha os olhares atentos, não apenas às mudanças, mas sobre tudo o que está a sua volta e pode ser mudado, aprimorado. Anote num caderno e ao lado, com calma e tempo, pontue o que você poderia fazer de diferente para preencher tais lacunas.

Lembre-se: Quem se mantem atento às mudanças do mercado, sai na frente. E quando as mudanças são inevitáveis, o melhor a fazer é entrar no barco e seguir o rumo. Sempre há uma boa oportunidade, ainda que, no primeiro momento, pareça pouco evidente.

Pense nisso!

Um abraço e até a próxima semana.

 

Pauline Machado é Personal, Executive e Business Coach pela SBCoaching, MBA Liderança e Gestão de Pessoas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e certificada pelo SebraeRJ no curso EMPRETEC, desenvolvido pela Harvard University e Organização das Nações Unidas (ONU) e diretora da Legado Coaching e Comunicação.